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Feito Por Ellas

“O meu sonho para Angola é que mais jovens possam ter mais oportunidades”: declara Secretária de Estado para a Juventude Danila Brangança

Com apenas 30 anos, Danila Bragança tornou-se uma das figuras mais jovens da actual governação ao assumir, em 2024, o cargo de Secretária de Estado para a Juventude. Nesta grande entrevista exclusiva concedida à Revista Feito Por Ellas, a executiva fala sobre o impacto da nomeação, os desafios de ser uma jovem mulher em espaços de decisão, o papel da juventude no desenvolvimento do país e a necessidade de apostar mais no capital humano. Entre memórias pessoais, reflexões políticas e mensagens dirigidas às novas gerações, Danila Bragança mostra uma visão próxima, humana e optimista sobre o futuro de Angola.

“A educação continua a ser um dos pilares fundamentais para transformar o país”

FPE – Senhora Secretária de Estado para a Juventude, Danila Bragança, como é que se descreveria para quem a vê somente pelas telas?

DB: Danila Bragança é uma jovem normal, como qualquer jovem. Uma jovem que, apesar de ter assumido funções de importância e relevância no país, continua a ser uma pessoa bastante simples e muito dedicada àquilo que faz. Muito comprometida com todos os desafios que surgem no seu caminho. Alguém que olha para a educação como sendo um dos pilares fundamentais para a transformação social no nosso país. Portanto, esta é a Daniela Bragança: uma jovem simples, afável, normal como qualquer outra pessoa. Percebi que a aposta na juventude era mesmo uma realidade

FPE – Embora tenha sido nomeada em 2024 para o cargo de Secretária de Estado para a Juventude, ainda se lembra do momento exacto em que recebeu o convite? O que sentiu naquela altura?

DB: Lembro-me exactamente desse dia. Recebi o convite e fiquei bastante chocada, ansiosa e nervosa, porque ninguém está realmente à espera de assumir uma responsabilidade destas, sobretudo com 30 anos. Duvidei de mim mesma. Perguntei-me se estava realmente preparada, se sabia o suficiente para exercer aquelas funções. Mas rapidamente percebi que tudo aquilo que o Presidente João Lourenço dizia sobre a aposta na juventude era verdade. Chegara a minha vez. E percebi também que tinha sido escolhida para representar os jovens angolanos, uma juventude pela qual tenho enorme admiração. Acredito profundamente no potencial da juventude angolana. Somos resilientes, criativos e comprometidos. Muitas vezes falta apenas uma oportunidade para mostrar aquilo que sabemos fazer. Então percebi que, se fosse bem-sucedida nesta missão, estaria a abrir portas para muitos outros jovens. Mas, se falhasse, também poderia estar a fechá-las. Encarei esta missão com coragem e sentido de responsabilidade. Quis mostrar que os jovens angolanos têm capacidade, competência e vontade de contribuir para o desenvolvimento do país. O intercâmbio internacional ajudou-me a compreender melhor os desafios da juventude.

FPE – Como é ser uma jovem mulher em ambientes de decisão historicamente liderados por homens? Alguma vez sentiu que seria mais fácil ser derrubada por ser jovem e mulher?

DB: Por acaso não. Tenho recebido bastante apoio e suporte. Sou a mais nova em termos de idade, mas nunca encontrei resistência por causa disso. Muito pelo contrário. O Ministro Rui Falcão, por exemplo, sempre me incentivou bastante. Ele costuma dizer que prefere ver os jovens a errar tentando do que não fazerem nada. Isso dá-nos confiança para trabalhar. Também tenho sentido apoio do Presidente da República, que tem promovido jovens em várias áreas do Executivo. Mas acredito que muito depende também da nossa postura, da forma como nos apresentamos e do compromisso que demonstramos no trabalho. É importante que os jovens compreendam que estar no Executivo exige responsabilidade, postura, disciplina e preparação. Não basta apenas vontade. É preciso estudar, acompanhar os acontecimentos do país e do mundo, compreender economia, política e os impactos globais na nossa realidade. Os jovens precisam de novas formas de empreender.

FPE – Abril marcou mais uma edição da Jornada Abril Jovem. Como garantir que estes programas tenham impacto real e não apenas simbólico?

DB: A Jornada Abril Jovem já existe há vários anos e tem crescido bastante. Este ano tivemos actividades em várias províncias. Em Malanje, por exemplo, reunimos quase quatro mil jovens. Mas mais importante do que os eventos é o impacto das políticas públicas. Hoje temos o Plano de Desenvolvimento da Juventude (PDJ), aprovado no ano passado. Este plano trouxe uma novidade importante: o Ministério da Juventude e Desportos passou também a coordenar e monitorar as políticas voltadas para os jovens. Antes havia pouca articulação entre os sectores. Hoje, os ministérios que trabalham directamente com questões ligadas à juventude devem reportar as suas acções. Isso permite-nos avaliar melhor o impacto real dos programas. Temos também vários projectos concretos. Um deles é o Stop Rixa, desenvolvido em parceria com a Polícia Nacional. O projecto trabalha com jovens que estiveram envolvidos na criminalidade e hoje recebem formação técnico-profissional em áreas como electricidade e outras artes e ofícios. Outro exemplo é a aposta na avicultura. Conheço jovens que começaram com poucas galinhas e hoje são referências no sector. São exemplos que mostram que o empreendedorismo pode transformar vidas.

FPE – Se hoje fosse o último dia no cargo, como gostaria de ser lembrada pelos jovens angolanos?

DB: Gostaria de ser lembrada como alguém que tentou. Tenho consciência de que os desafios sociais e económicos do nosso país são muito grandes e que não conseguiremos resolver tudo em pouco tempo. Mas acredito que conseguimos dinamizar bastante o sector da juventude. Hoje procuramos estar mais próximos dos jovens. Eu costumo dizer: onde estiverem os jovens, eu também estarei. Seja numa universidade, num bairro ou num pequeno encontro com cinco pessoas. Quanto mais próxima estou dos jovens, melhor consigo defender as suas preocupações nos espaços de decisão. Gostaria de ser lembrada como alguém que esteve próxima da juventude e que deu o seu melhor.

FPE – Que conselho daria a uma jovem que sonha seguir os seus passos, mas enfrenta barreiras sociais e culturais?

DB: O primeiro conselho é: foco. Vivemos num mundo cheio de distrações. É preciso escolher bem quem seguimos e quais referências temos. Continuo a dizer aos jovens que estudar vale a pena. Quem não conseguir fazer um ensino superior pode apostar numa formação técnico-profissional. O importante é aprender algo, desenvolver competências e saber fazer. Também digo às jovens mulheres que o lugar da mulher é onde ela quiser estar. Não existem profissões exclusivas para homens. As mulheres podem trabalhar em qualquer área, desde que tenham preparação e compromisso. A oportunidade chega para quem está preparado. Por isso, o saber fazer é fundamental.

FPE – Qual é o seu maior sonho para Angola?

DB: O meu maior sonho é que mais jovens tenham oportunidades e consigam mostrar o seu potencial. Precisamos continuar a apostar seriamente no capital humano. Podemos ter muitos recursos minerais, mas o recurso mais valioso continua a ser o ser humano. Por isso, precisamos investir numa educação de qualidade, na formação profissional e na capacitação da juventude. Também acredito muito na cultura de paz e no diálogo. Só através do diálogo conseguimos resolver os nossos problemas e construir um país melhor.O meu sonho é ver Angola continuar a crescer, com mais oportunidades, mais inclusão e uma juventude preparada para liderar o futuro.

Por: Janeth Cabeia

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