A artista luso-afrodescendente, Narytha, tem transformado a arte num espaço de celebração e promoção da identidade africana por meio das suas obras, aonde tem resgatado histórias, a honra dos ancestrais e exaltação da beleza das mulheres negras por um elemento que atravessa gerações: as tranças.
A artista conta que a sua paixão pela arte nasceu muito cedo, impulsionada por um ambiente familiar, e uma forte admiração pela sua irmã mais velha. ‘’ Venho de uma família de artistas, por isso sempre fui incentivada a criar. Da música à escrita, do desenho ao design, a arte sempre foi (e continua a ser) a minha forma mais autêntica de expressão.’’ Partilha.
Contudo, foi a mudança para Londres, aos 17 anos, que aprofundou a ligação com as suas raízes africanas. “Ao estudar a história e a simbologia dos penteados africanos, senti vontade de retratar essa herança visual tão rica e intemporal”, conta, e sublinha o facto de aprender a trançar o seu próprio cabelo como um ponto de partida do seu interesse pela cultura.
Ao assumir-se como uma artista afro-centrista, Narytha vê nas suas obras uma ponte entre o passado, a identidade e a pertença. Projectos como ‘’The Ancestors Are Watching’’ e ‘’The Hair Appointment’’, reflectem não apenas um percurso artístico, mas também uma jornada de reconexão com as suas raízes, onde a cultura africana, os símbolos ancestrais e a beleza da mulher negra ocupam lugar central. “Procuro preservar identidade, memória e orgulho num mundo cada vez mais globalizado”, afirma.
Texto: Lectícia Leão