Vinda do interior de São Paulo, Érica Menga cresceu com os pés na terra e os olhos no horizonte. Hoje, é cofundadora da Bisa Orgânico, marca que nasceu da união entre a sensibilidade dela e o olhar técnico do marido, Eduardo Menga.
O casal construiu um negócio movido por perspectivas diferentes, mas com o mesmo propósito. “A Bisa nasceu da mistura entre a minha paixão pela terra e o olhar objectivo dele. Um encontro entre propósito e pragmatismo”, afirma.

Em Angola há vários anos, Érica enfrentou desafios que testaram a fé e a resistência: o machismo no campo, o preconceito por ser estrangeira e as distâncias impostas pela maternidade. “Cada despedida parecia arrancar um pedaço de mim”, recorda, referindo-se às viagens às fazendas enquanto deixava os filhos pequenos em casa.
Foi nesse processo que compreendeu de onde vinha a força para continuar. “Havia algo que me mantinha firme, com certeza era Deus. E um versículo que tatuei: ‘Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação e perseverem na oração.’”
Na Bisa Orgânico, Érica acompanha de perto a produção agrícola e a relação com os clientes. Vê a empresa como um elo entre a terra e quem dela se alimenta. “Para mim, a relação não é só transacção, é também confiança e troca”, explica.
O propósito é claro: produzir alimentos com qualidade e ética, “mais do que vender, quero mostrar que é possível gerar impacto positivo e fortalecer a confiança das pessoas no que consomem.”
Texto: Joice Estevão

