Ludmila do Carmo da Silva Kiteculo é uma jovem angolana que não quer que a sua aparência seja a primeira coisa a defini-la. “Gostaria que o mundo me conhecesse como uma jovem que encontrou na literatura um propósito maior: servir e inspirar”, afirma. Para ela, o albinismo não é uma limitação, mas uma condição que reforçou a importância da inclusão e do respeito.
O seu primeiro livro, intitulado “E se o mundo me pudesse ouvir”, nasceu da necessidade de transformar dores em força. “Escrever foi a forma que encontrei de mostrar que cada cicatriz pode ser um testemunho de superação.”

Ludmila, que aos 24 anos tem granjeado respeito pelo seu trabalho, encara o reconhecimento como escritora e activista como uma responsabilidade. “Ser reconhecida tão cedo mostra-me que estou no caminho que Deus me designou.”
Mas também lembra de onde veio essa força “crescer em Angola sendo uma pessoa com albinismo fez-me enfrentar preconceitos, mas também me fortaleceu e me mostrou o poder da resiliência”, recorda.
Ludmila é licenciada em Ciências da Comunicação e criadora do projecto “Empoderamento da Mulher Albina”. Para si, a comunicação e a filantropia são ferramentas para abrir caminhos. “O que faço é fruto da certeza de que pequenas acções podem gerar grandes mudanças.”
Actualmente, Ludmila usa as suas redes sociais para consciencializar as pessoas sobre o albinismo. “O albinismo não é uma limitação, mas uma condição genética. Pessoas com albinismo têm sonhos, talentos e potencial como qualquer outra.” O seu objectivo é claro: “Quero que a minha voz seja um farol para quem se sente invisível.”
Texto: Joice Estevão

